12 Novembro, 2009

Um sonho e a chance de mudar

Tive um sonho num modelo completamente novo. Sonhei que houve um incidente (a morte da minha irmã, após termos passado por um shopping e depois andado por algumas ruas), e que tinha os poderes de mudar o que aconteceu, porque passei a viver novamente aquilo.
Na verdade, pensando que ser diferente por um enezão não é tão distinto de ser diferente por um pequeno épsilon, achei que qualquer mudança que eu fizesse acarretaria um final bem diferente. (É aquela história do efeito borboleta, bem o oposto do que o filme homônimo pregou, se você notou.) Daí, abandonando-a para fazer outras coisas no shopping, depois vi que a perdi, e percorrendo as mesmas ruas descobri que ela morreu no mesmo lugar (não sei onde nem como...). Ou seja, não pude mudar um fato relevante apenas por mexer em outras "pequenas" situações.

Claro que foi um sonho, não tenho o poder de voltar no tempo e reviver o passado. Mas achei curioso que aconteceu bem o contrário do que eu "acredito": pequenas mudanças não alteraram o resultado final. Na minha opinião, sobre quando imaginamos hipoteticamente "Se eu fosse você", ou "Se eu pudesse voltar no tempo", tenho duas ideias.

A primeira é que você não muda nada, que só reviverá e sentirá o que ocorreu; talvez até explique o que antes não entendia. (Essa é o que ocorre em Harry Potter E O Prizioneiro De Azkaban). Ou seja, é aquilo.

A segunda é que a simulação terá resultados muito inesperados; uma coisa que você fizer muda drasticamente o resultado final. (Não que ficar um minuto ser respirar mude, mas somente por tomar um tempinho de outra pessoa você pode influenciar muito o mundo.) (E claro, não é algo calculável.) Assim, vivendo diferente de modo que minha irmã não passeasse comigo, supostamente ela não deveria morrer na mesma situação. Mas morreu, e é realmente intrigante e fantástico o mundo dos sonhos! (E o mundo das mentes, inclusive da sua na qual ainda não penetrei nem entendi!!)

Coitado do advogado

Já ouvi engenheiros falando que sua profissão não é valorizada (e a minha provável futura também não) aqui no Brasil, mas que é valorizada lá fora, e que aqui os "doutores" são o médico e o advogado. Ao menos quanto à segunda parte, concordo inteiramente.

Hoje descobri que houve um apagão (e quero lembrar que houve muitos raios na madrugada de segunda para terça, raios com barulho contínuo, uma coisa nunca ouvida, nem por meu professor 50 anos mais velho). Daí fui ver as notícias em sites e a grande tragédia foi: "Advogado sobe oito lances de escada e toma banho frio". Ah, PQP! Se fosse um tetraplégico subindo escadas até vai, mas um advogado não tem nada que o inabilite fisicamente e não é mais importante que qualquer outro profissional. (Aliás, nem é uma profissão tão honrada.)

08 Novembro, 2009

Interpretação de obras artísticas: a resposta versus as possibilidades

Quando a gente tenta entender uma obra artística (uma música, uma pintura), deve tentar entender o que o artista quis expressar. Geralmente isso tem uma resposta única (mesmo que a única seja a de ter criado uma ambiguidade). Não sei se é uma relação causal, mas acho que tenho dificuldade nisso proque tento vislumbrar todas os significados possíveis.
Quando outra pessoa diz que tal interpretação é óbvia, fico com um pé atrás: e se fosse de outro jeito? Pode haver dois significados inteiramente plausíveis para interpretar a mesma coisa, com os fatos que se tem.
Talvez quem tenha mais "intuição" para dizer prontamente a intenção do autor da obra tenha mais dificuldade em lidar com problemas do tipo "achar todas as soluções". E se bobear, é capaz de haver um pensamento lógico diferente do meu. (O que é uma coisa interessante, divina sem deus. [Também seria divina se todas possuíssem o mesmo processador lógico. Mas será que somos todos naturalmente inclusos racionalmente? {Obrigado pelo termo, Eli!}])

07 Novembro, 2009

Identificação de necessidades

Uma cosia que melhora significativamente (pra não dizer que permite, ou que salva) as relações humanas é vermos que os outros têm as mesmas necessidades que nós, e também passam por momentos de incerteza e dúvida. Assim, é mais fácil satisfazê-los, apoiá-los e compreendê-los. (E também enganá-los, para os maus.)

(Isso é especialmente válido pra uma relação forte como um romance.)

05 Novembro, 2009

Reinventar-me

Pouca coisa me aborrece tanto como ser estigmatizado. Acham que sou o que não sou, e não tenho tempo nem possibilidade de defesa. Isso porque supostamente sou uma piada, algo tão diferente que mereça ser observado (de longe). E ninguém confia que eu possa mudar ou que esteja mudando; elas já se apegaram à imagem que têm de mim e não vão soltar.
Por isso que tenho vontade de começar as coisas de novo; ir pra um lugar novo não pra conhecer (acho tão pequenas as pessoas que acham que têm o mundo em suas mãos só porque visitaram mil países) mas para poder recomeçar-me, para fazer um novo eu, espero que sem sofrer preconceito como normalmente ocorre comigo agora.

29 Outubro, 2009

Mundo adulto

Já me sinto bem grandinho a ponto de me considerar adulto. Tenho observado os seres mais novos e vejo como eles são imaturos e inseguros, sempre precisando de companhia. Quer dizer, nós adultos também somos maria-vai-com-as-outras, de preferir almoçar junto com os colegas ou mesmo seguir a mesma empreitada que eles, mas em grau menor.

Sinto que estou compatilhando um segredo, um comportamento (modo de agir).

Acho que deve ser como o mistério que as mulheres dizem que guardam, as coisas que elas gostam de pensar que só elas sabem e entendem.

27 Outubro, 2009

Academia de sucesso

Que bom que não comemorei muito quando passei no vestibular. Quero que essa realmente não tenha sido uma conquista importante na vida, e sim parte natural do processo (ou da minha vida).
O mesmo da colação de grau, que é pra acontecer no fim do ano que vem.

Prefiro celebrar outras coisas muito mais fodas que farei depois (e por que não, durante).

26 Outubro, 2009

Além do que se vê

Ainda tenho que ouvir que Beatles não são interessantes e não tinham personalidade porque todos usavam a mesma roupa, o mesmo corte de cabelo.
É você, a pessoinha que motivou estas palavras, que não consegue discernir entre atitude e aparência, e que provavelmente perdeu a chance de começar a chamar dos Beatles de melhor banda de todas por puro preconceito.

22 Outubro, 2009

Bom pelos outros

Se fôssemos bons só porque os outro são ruins, então somos maravilhosos.
Mas como nós somos também os outros, para as outras pessoas, então não podemos concluir nada.

15 Outubro, 2009

Filas e espera

Há fila para muitas coisas. Fila para entrar em auditórios, fila para trocar livros, fila para se servir em restaurantes. E isso não somente nos humildes e pobres; mesmo em ambientes sofisticados as pessoas esperam, de ternos e vestidos longos. Ou às vezes nem tanto.
Mas bem: e então, o que dizer do trânsito? Aqui em Porto Alegre os carros trancam um pouco, principalmente daqui a uma ou duas horas. Mas poxa, até que o negócio flui, como fluem pessoas num bufet de restaurante. Dá uma sobrecarga, é verdade, mas isso até um computador enfrenta de vez em quando, mas resolvendo as coisas pouco a pouco elas vão sendo executadas. O mesmo dos carros: eles vão passando.

Sou a favor dos ônibus e de uma reformulação do transporte público. Nada de obras demagógicas do tipo duplicação.

E por que ninguém pensa em construir trilhos? É um modo bem mais barato de transportar mercadorias, acho que funcionaria bem no Brasil. (Tá, não sei nada técnico sobre isso. Mas a Engenharia Civil aqui da UFRGS aprende, então ao menos temos algumas pessoas com noções sobre isso.)